‘O ato de poetar é se deixar levar pelo seu coração e sempre psicografando
o seu eu e o do alheio’
Djalma Pinheiro.
Bohemia Lapa quanta saudade...
Quanta saudade...
Estava aqui em meu canto
Onde eu e minha solidão
Só acompanhado de minhas poesias
Bateu a nostalgia e saudade de outro refúgio.
Minha velha lapa de antigamente, com suas tribos
Bem diferentes das que existem hoje
Vivíamos uma mistura poética.
Boêmios, malandros, bêbados e poetas,
Da Lapa antiga com seus inferninhos
Onde as moças trabalhavam.
Seus bares antigos onde grandes poetas
Em suas mesas psicografaram seus trabalhos.
E víamos de nossas mesas as “meninas”
Nas calçadas a angariar clientes
Eu ficava com o coração pulsando ao chegar à madrugada
Ao Bar Capela, para minha tradicional sopinha de entulho.
Meu coração pulsava mais ainda ao ver em uma mesa minha musa
Pela timidez de um poeta, me limitava a lançar olhares
E como um pintor nela me inspirava
Não tinha nenhuma tela, nem tintas
E sim uma folha de guardanapo
Onde sonhava dizer a ela
Todo meu amor sentido e contido.
Ah que saudades da minha lapa de antigamente...
Djalma Pinheiro
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