Djalma Pinheiro

Ah, se eu fosse um poeta....

Textos

Um amor cigano.........
 
Psiu, psiu, moço deixa ler a sua sorte em suas mãos?
Te darei o passado, o presente e o seu futuro...
 
 
Assim começa este enredo de uma linda e trágica história de um amor proibido. Proibido sim, pois João é um gadjé (homem não cigano). Rapaz trabalhador e estudioso, morador de subúrbio, filho de pais separados e que leva a sua vidinha honesta e honrada, mesmo aos trancos e barrancos dos dia atuais. Vinha ele literalmente correndo pela Avenida Rio Branco no Rio de Janeiro, como sempre atrasado para a faculdade, pois saía de casa quase que de madrugada para ir ao seu trabalho no centro da cidade. Pegava muito cedo na repartição federal, onde tinha o emprego de auxiliar administrativo.
 
Diga-se de passagem que era o orgulho da família pois. Com muito esforço próprio e horas, dias e anos debruçado sobre os livros que pegava em bibliotecas, haja visto a carência financeira dos pais, conseguiu passar em concurso publico para o órgão federal bem como também para estudar Direito em universidade estadual.
 
Assim era a rotina nos dois últimos anos de João, casa, trabalho e faculdade.  Até nos fins de semana ficava o rapaz internado na Internet, fazendo suas pesquisas, pouco tempo sobrando para que ele se divertisse ou pelo menos tivesse uma vida pessoal afetiva. Era inclusive a grande preocupação de Dona Magali, sua mãe, pois mesmo sendo uma mãe zelosa, estava deveras preocupada com a falta de vida social de seu único filho. Perguntava a ele se não sairia no fim de semana com seus primos para ir aos bailes ou ainda ensaios do bloco da rua, no que João retrucava que ele teria muito tempo para isso. De tanta preocupação. D. Magali, resolveu a contra gosto conversar com Antonio Marcos, figura que ela fugia como o diabo foge da cruz, pois além de ser pai de João, tinha mais meia dúzia de filhos espalhados pelo mundo de mães diferentes. E o Seu Toninho era um cinqüentão charmoso, que desde rapazola por ser uma figura bem apessoada sempre foi um conquistador e boêmio. Mas dentre todos os filhos e filhas, João era o único que ele realmente se importava. Diziam as más línguas que era por esperteza, pelo fato de ele ser um tremendo futurista e ter visto no filho um bom investimento futuro.
 
Depois de muito relutar lá foi D. Magali no cafofo (A meia água de seu Antonio Marcos era a maior falação da comunidade, a maioria das mulheres do bairro já haviam estado lá). Ao entrar (já havia ligado antes para o ex), já encontrou o garanhão literalmente a vontade e foi logo fazendo a corte a D . Magali. Mulher que do alto de seus 42 anos, conservava a sua rara beleza, morena com dois grandes olhos de um verde esplêndido e que mesmo maltratada pela vida, inclusive era uma operária da fábrica de plásticos, era muito assediada onde quer que fosse. Sem contudo, ou que se saiba, dar trela a qualquer outro homem, pautando a sua vida única e exclusivamente para o bem estar de João. Mas antes de qualquer investida do garanhão foi logo dizendo que a estada dela ali não era para sacanagem e fez questão de conversar com o canalha na porta mesmo, recusando ate água. Relatou a sua preocupação quanto a vida que seu querido João, estaria levando e suplicando ao canalha do pai que tivesse uma conversa de homem com ele, pois achava que mesmo com todo amor a ele dedicado tinha suas limitações e que era por isso que João não se abria com ela.
 
Dito e feito, seria um prato feito para o garanhão tentar uma melhor aproximação com seu filho, pois João não o tratava mal, mas era muito reservado quanto a ele. Talvez por não perdoar as suas canalhices com todos e principalmente com sua querida mãe. Pois ele abandonou a família quando João ainda era de colo. Por outro lado também, ficou preocupado com a repercussão desta inércia de João para com as mulheres e olhe que João havia mesclado as feições de ambos. Rapaz extremamente bem apessoado, moreno, alto e atlético que herdou da mãe aqueles olhos grandes e verdes.
 
O que de certa forma era problemático para ele desde de garoto na escola, passando pela repartição onde trabalha e culminando na faculdade o assédio de sua colegas, todas queriam dar para o João. Tem ate uns fatos engraçados nisso Glorinha, mocinha sapeca estagiária na repartição (era cantada por todos e dizem os fofoqueiros que era o maior machado, não podia ver um pau em pé), belo dia na festa de fim de ano no meio de uma roda de colegas onde estava também João, ela já muito doida, o agarrou a força na frente de todos. Tinha também na faculdade a Rose, nossa! um tremendo avião com direito a pista própria e tudo. Belo dia, num grupo de estudo resolveram fazer uma lanche e ela no meio de todos, perguntou a João se estava suja, lógico ele disse não.... perguntou se ele a achava feia, João riu, ficou vermelho e disse que ela era de uma beleza rara.... aí veio a explosão de Rose na frente de todos, porra João quero te dar e não vejo como posso conseguir isso.
 
E lá foi seu Antonio Marcos, conversar com João, uma conversa de certa forma até inusitada pois não tinham entrada para o assunto que se avisinhava. Mas como seu Antonio Marcos era um careta de pau não se fez de rogado , foi logo perguntando a João, o que ele fazia por diversão e por ser um rapaz bonito quantas mulheres já havia comido, continuando até irritar o rapaz que, sentido-se acuado e ofendido dado as sua respostas ao papo canalha do pai, pois por ser inteligente sentiu na conversa do pai uma certa desconfiança quanto sua masculinidade. Para não alongar o assunto, tranqüilizou o canalha e disse:  Pai fica preocupado comigo não, pois não sou gay, só o que não quero agora para a minha vida é me envolver amorosamente com moça nenhuma, pois quando o fizer será para casar e cuidar de minha família, coisa que o senhor não teve a responsabilidade de fazer e sei o quanto a pobre de minha mãe sofreu. Quanto a minha vida sexual também pode ficar despreocupado, pois reservo mensalmente uma pequena parte de meu salário e me desafogo com as meninas da vila mimosa, no que deu a conversa por encerrada, pediu a benção de um pai desconcertado e atônito e foi embora. 
 
 Bem lá ia João literalmente correndo pela Avenida Rio Branco no Rio de Janeiro, como sempre atrasado para a faculdade, pois o seu ranzinzo chefe o sempre segurava até mais tarde, onde todos os dias ia João correndo para não perder um tempo sequer de aula e numa bela terça-feira ouviu João.
Psiu, psiu, moço deixa ler a sua sorte em suas mãos? Te darei o passado, o presente e o seu futuro..., João já ia se desvencilhar do grupo de ciganas que estavam abordando a todos os que passavam (O Povo Cigano é guardião da LIBERDADE. Seu grande lema é: "O Céu é meu teto; a Terra é minha pátria e a Liberdade é minha religião", traduzindo um espírito essencialmente nômade e livre dos condicionamentos das pessoas normais geralmente cerceadas pelos sistemas aos quais estão subjugadas. A vida é uma grande estrada, a alma é uma pequena carroça e a Divindade é o Carroceiro), quando muito de repente ouve-se um grito feminino de dor. Todos que ali passavam se voltaram para o local de onde teria partido o grito. Eis que num canto estava uma jovem cigana caída e ensangüentada, tendo ao fundo um homem de terno alto e forte corrido para um carro estacionado que logrou a fugir. Formou-se aquela roda de curiosos, mas as ciganas presentes que foram as únicas na realidade a acudir a jovem cigana, pois por preconceito da sociedade ninguém sequer se deu ao trabalho de sacar um celular e ligar para o 199. João não havia parado e nem visto a jovem cigana caída, só o reparando já parado no sinal a frente para atravessar a rua e instintivamente esqueceu-se da pressa e a aula que o aguardava   e aproximou-se do grupo.
 
Viu que a jovem cigana estava bem debilitada e com o rosto bem ferido, pois o canalha do homem lhe havia assediado e com a resposta negativa deu-lhe diversos socos no rosto (Freud explica isso, que o homem ao agredir fisicamente uma mulher o esta fazendo por despeito, pois na realidade ele queria ser mesmo é mulher, ou no popular é gay, mesmo). E ficou mais chateado ainda pelo fato de que a maioria que ali estava além de não ajudarem ainda faziam comentários maldosos das ciganas e principalmente da jovem agredida covardemente.
 
João ficou indignado com a situação. Soltou os cachorros em cima de todos ajudou a jovem cigana a levantar-se, conduzindo ela e o grupo de ciganas para a galeria da Confeitaria Colombo, onde a contra gosto do pessoal da casa de chá, sentou-se a uma mesa e as convidou o que foi recusado e dito a João que não podiam (pela lei cigana, a mulher não se senta em mesa com homem, principalmente com um gadjé).  Pediu para o garçom indicar o toilet, para que a moça se refizesse e limpasse seus machucados, O garçom então disse que só quem poderia usar o toilet, seriam os fregueses do estabelecimento, no que João no ato prontificou-se a fazer pedido para todas as ciganas. Sem saída o garçom teve que ceder e entregou a João o cardápio para a escolha do que tomariam e comeriam.
 
Neste ínterim a cigana mais velha, atônita ainda pelo acontecido e pela bondade daquele belo rapaz, disse-lhe que o ajudaria a pagar a conta, agradecendo efusivamente o seu gesto que não é normal vindo de um  gadjé, e com a recusa do rapaz em aceitar dinheiro para o pagamento da conta, a velha cigana o fitou bem nos olhos e pediu a sua mão. João relutou um pouco, mas por ser um cavalheiro entregou a sua mão a velha cigana. Ela, ficou olhando por um bom tempo a palma de sua mão, fitando-o bem dentro dos seus grandes olhos verdes e sem falar nada largou a mão de João e ele, ao fitar novamente os olhos da velha cigana viu rolarem duas lágrimas ((Na verdade cigano que se preza, antes de ler a mão, lê os olhos das pessoas (os espelhos da alma) e tocam seus pulsos (para sentirem o nível de vibração energética) e só então é que interpretam as linhas das mãos. A prática da Quiromancia para o Povo Cigano não é um mero sistema de adivinhação), no que ele assustado lhe perguntou se tinha visto algo de ruim. A velha cigana retrucou que sim e não, pois quase todos os anseios de João seriam realizados. Ele então perguntou a ela o porquê das lágrimas e ela disse simplesmente que era pelo fato dele ser um gadjé e não um autêntico cigano.
 
Neste ínterim como já se passaram uns 20 minutos, surge então a jovem cigana agredida covardemente e as outras duas ciganas que a acompanharam ao toilet, Sentaram-se a mesa em que so estavam as ciganas e a jovem cigana ao olhar para o rosto daquele gadjé  para agradecer ficou pálida e sem palavras. Situação idêntica ficou João ao fitar aquela jovem cigana morena de uma beleza pura e simplesmente angelical, com seus olhos amendoados, sua pele morena, seus lindos lábios carnudos moldando uma linda e grande boca de onde apareciam uns dentes muito brancos. Ficou uma situação inusitada e de certa forma até engraçada, com as outras ciganas querendo falar todas ao mesmo tempo e de certa forma uma algazarra só num ambiente que não era propício a este tipo ao tipo.
 
Nisso a velha cigana com o semblante de quem estava realmente preocupada e dando desculpas de que teriam que ir embora, pois teriam outros compromissos com seu povo, voltou a fitar João, agradecer toda a gentileza e despedir-se. Na hora de se despedir a jovem e linda cigana por não ter palavras limitou-se a sorrir, tirou um de seus brincos de ouro e entregou a João, pura e simplesmente isso. Só que escondido da velha cigana. Foram embora e ali ficou João perplexo, com a visão daquele rosto de uma deusa, só saindo de sua letargia, com a intervenção do garçom, lhe indagando se queria mais alguma coisa, no que João disse que não e pediu a conta, pagando e indo embora para casa, pois incrível nem vontade de ir a faculdade teve.
 
Foi então que João foi embora e já no ônibus ficava com a imagem daquela cigana na mente, João mal dormiu e quando conseguiu dormir João sonhou com a sua jovem cigana, e assim foi o dia inteiro, mal conseguindo se concentrar nos seus afazeres. Já na hora de ir embora e como sempre atrasado João resolveu fazer o mesmo trajeto do dia anterior e nada de encontrar a sua jovem cigana e assim foi a semana inteira. Já no sábado João tomou uma decisão, pois lembrou que uma das ciganas havia dito que pegaria o 394 – LG. São Francisco – Vila Kennedy, e lá foi João pedir ao seu primo que fizesse com ele um passeio até a zona oeste da cidade. Explicou o ocorrido e o seu primo vendo o seu desespero, como não podia ir emprestou o seu carro a João, que rodou quase que o sábado todo procurando a sua jovem cigana.
 
Por outro lado, numa comunidade cigana, na baixada fluminense, precisamente em Nova Iguaçú lá estava a jovem Cínara (que entre os ciganos significa Deusa da Lua), que desde de o ocorrido na semana, não parava de pensar e ver o rosto daquele belo rapaz na sua mente. Inclusive disse que se saísse, seria só para encontrar o canalha que a socou covardemente, mas na realidade não era isso e sim encontrar o seu lindo moreno de grandes olhos verdes e sentindo o verdadeiro interesse da cigana Cínara a velha cigana matriarca e chefe local a cigana Starlina, a proibiu de sair o resto da semana com a desculpa de que era para ela se refazer de seus ferimentos ainda visíveis.
 
 E assim passou o fim de semana. Um fim de semana de pensamentos e uma certa aflição tanto de João quanto de Cínara, cada qual em seu canto. Entrou a semana e findou a semana, sem João conseguir não só tirar a sua cigana do pensamento e nem Cínara conseguiu sair, pois a velha cigana Starlina, com a mesma desculpa a proibiu de trabalhar lendo a sorte nas ruas, deixando a jovem Cínara triste e cada vez mais com os seus pensamentos voltados para João.
 
Passaram três longas semanas que foram semanas de agonia para os jovens João e Cínara até que a velha cigana Starlina consentiu que Cínara fosse as ruas a trabalho, só que não no centro da cidade e sim precisamente no subúrbio em Madureira. Lá foi Cínara a contra gosto mais foi, afinal era essa sua função no grupo cigano.
 
D. Magali vinha pedindo a João que resolvesse um assunto dela junto as Casas Bahia, João foi a loja do centro da cidade próximo a sua repartição e a atendente lhe avisou que o assunto só poderia ser resolvido na loja onde foi feita a compra. João ligou para D. Magali querendo saber que loja ela havia comprado, no que D. Magali disse que foi na loja de Madureira, mas que João deixasse que ela resolveria, pois iria atrapalhar a vida do filho. Ele por ser um bom filho, disse a mãe que iria pedir ao seu chefe que o deixasse sair duas horas antes de seu horário, o que conseguiu.
 
João saiu, como sempre vinha fazendo o mesmo percurso de sua amada e mais uma vez nada. Pegou o trem e saltou na estação de Madureira, foi a loja resolver tudo e ao já estar indo de volta para a estação, viu ao longe um grupo de ciganas no calçadão. Ele como já estava lá em cima da estação, desceu as escadas correndo e com o coração na mão, querendo lhe saltar do peito avistou Cínara e como um robô aproximou-se da sua cigana. Ela de costas não o havia visto, e ao se virar que linda surpresa Cínara pensou estar sonhando acordada, seus lindos olhos amendoados cintilaram, seu coração também acelerado como o de João, ficaram ali num mutismo se fitando ambos com vontade se abraçarem, e para acordá-los a cigana que estava chefiando o grupo e por sorte não conhecia João, disse “Cínara, você não vai ler a mão do rapaz?  pois ele está em frente a ti, estendendo a mão.”
 
Caíram na real e inteligentemente se afastaram do grupo e foram a um canto do calçadão, onde João gaguejando pode dizer a ela o quanto a tinha procurado nas últimas semanas. Cínara pediu que João deixasse sua mão estendida para fingir que estava lendo e conseguiu dizer a ele que também não estava conseguindo tirar ele do pensamento mesmo sabendo ser ele um gadjé e proibido a ela, e explicou a ele que a mulher cigana não poderia ser de um homem gadjé. Ficaram então os dois num mutismo só e na face de ambos rolaram duas lágrimas em cada olhar, que vinha lá de dentro d’alma. Então João tomou coragem e fingindo escrever alguma coisa que tipo receita cigana passada por Cínara, pediu a ela algo para que pudesse entrar em contato. Ela disse que não tinha, mas se ele tivesse um telefone que passasse escondido a ela, no que João rapidamente, como se tivesse tirando dinheiro para paga ra consulta lhe entrega junto ao dinheiro seu cartão de visita e suplicando que ela ligasse para ele de onde estivesse a cobrar. Despediu-se dizendo que não poderia viver sem ela e ela sorriu, um sorriso lindo e ao mesmo num misto de amor e tristeza, simplesmente disse. “Eu estou te amando gadjé.”
 
Nossa que sensação incrível, imagine como deveriam estar os corações, acelerados, palpitantes. E para que Cínara voltasse junto as outras ciganas e não despertasse suspeita pelo que estava sentindo, ela viu que não estava com a aparência normal, disse as outras ciganas que não estava sentindo-se bem, pois achava que teria visto o carro do canalha que a agrediu covardemente, no que o grupo deu por encerrado seus trabalhos do dia e foram embora.
 
João saiu dali em estado de puro êxtase, e jurando a ele mesmo que lutaria heroicamente por seu amor a Cínara, deixaria até de ser um gadjé, se assim fosse necessário. O que ele não sabia é que nenhum gadjé torna-se cigano, pois o cigano já nasce cigano, (Ainda em crianças, os ciganos são prometidos em casamento.  É uma das tradições mais preservadas pois, os pais, que decidem unir as famílias. representam a continuidade da raça, por isso o casamento com os não ciganos (homens) não é permitido, quando isso acontece a pessoa é excluída do grupo. Um cigano pode casar-se com uma gadgí (mulher não cigana), mas esta tem que se submeter as tradições ciganas.). Na mente de João, existiam altas viagens, fazendo planos mirabolantes dele e sua amada Cínara, só que ele não sabia o quanto seria doloroso para ambos este amor proibido.
 
Ficou assim esperando o telefone tocar e a cada  chamada era um pulsar forte de seu coração. Por outro lado, Cínara teria que arrumar uma maneira de ligar para o seu amado João e seria uma tarefa das mais difíceis de sua vida, pois as ciganas solteiras eram vigiadas por toda a sua tribo, haja visto que todas já literalmente nasciam comprometidas para algum cigano. Cínara já estava realmente prometida ao cigano Ephraim, cigano bom negociador, um rapaz de belas feições também que tinha no comércio a sua principal fonte de renda. Era o rei dos escambos, mas que nada tinha a ver amorosamente com Cínara e ela simplesmente admitia o casamento por não ter como faltar com a palavra de seu pai o cigano Petra.
 
Com muito custo Cínara conseguiu no dia seguinte se desvencilhar do grupo e ligar a cobrar para o celular de João e ficaram a conversar por uma boa meia hora, ela então explicou resumidamente a sua vida a João, inclusive o detalhe de já haver ter sido escolhido o seu marido que era o cigano Ephraim. João do outro lado da linha era de um inconformismo só e de jeito maneira aceita esta condição e pior ainda quando soube que so a mulher gadjé, poderia ter este tipo de relacionamento o que era terminantemente proibido ao homem gadjé, e por Cínara já saber onde estaria no dia seguinte marcaram de se encontrar numa das raras escapulidas de Cínara.
Neste dia João ate faltou ao trabalho, pois o seu ranzinza chefe provavelmente não o deixaria sair cedo, o que fez com João pela primeira tivesse que mentir e assim não ser cortado o seu ponto na repartição, Cinara disse ao João que o grupo de cigana estaria em Botafogo, por voltas das 15 h, o nervosismo de João era tanto que já as 13:00 h, lá estava ele na Rua da Passagem, estava parecendo um desesperado e por volta das 15:00 h, estava chegando o grupo de ciganas e despercebidamente Cínara fez sinal que ele aguardasse na esquina, próximo a estação do metrô, a cigana que chefiava o grupo já havia pedido a Cínara, que se ela poderia pegar o metrô, e ir ao centro da cidade pagar uma conta em uma agencia bancaria, pois senão elas perderiam muito tempo haja visto que seria algo demorado, no que muito alegremente Cínara, recebeu o pedido.

Logo lá estava a sua bela Cínara, ao lado de João e fazendo sinais para ele também pegar o metrô, pois uma das ciganas foi com ela ate a estação, ficaram se fitando na plataforma, contudo por precaução ela não falou com ele limitando-se a ficar admirando um ao outro. Adentraram ao trem do metrô, onde se tocaram e sem uma palavra instintivamente selaram aquele que seria o primeiro encontro com um longo beijo e nem se aperceberam que o vagão lotado todos ficaram olhando o lindo casal, uns com inveja e os mais puros como se estivessem ali sendo testemunhas de uma linda história de amor, este beijo selou então o amor e a guerra que teriam que travar para a sua manutenção.
 
Foram juntos ao banco e Cínara agradeceu muito a Santa Sara de Kali (Para os ciganos, Sara, santa venerada, possui a pele negra, daí ser conhecida como Sara Kali, a negra. Ela distribui bênçãos ao povo, patrocina a família, os acampamentos, os alimentos e também tem força destruidora, aniquilando os poderes negativos e os malefícios que possam assolar a nação cigana. Seu mistério envolve o das "virgens negras", que na iconografia cristã representa a figura de Sara, a serva (de origem núbia) que teria acompanhado as três Marias: Jacobina, Salomé e Madalena, e, junto com José de Arimatéia fugido da Palestina numa pequena barca, transportando o Santo Graal (o cálice sagrado), que seria levado por elas para um mosteiro da antiga Bretanha. Diz o mito que a barca teria perdido o rumo durante o trajeto e atracado no porto de Camargue, às margens do Mediterrâneo, que por sua vez ficou conhecido como "Saintes Maries de La Mer", transformando-se desde então num local de grande concentração do Povo Cigano.  Quase todos são devotos de "Santa Sara", que é reverenciada nos dias 24 e 25 de maio, em procissões que lotam Lês Saints Maries de La Mer, em Camargue, no Sul da França. Através de uma longa noite de vigília e oração, pelos ciganos espalhados no mundo inteiro, com candeias de velas azuis, flores e vestes coloridas; muita música e muita dança, cujo simbolismo religioso representa o processo de purificação e renovação da natureza e o eterno "retorno dos tempos".), não só por proporcionar o encontro com seu amado, bem como pedia a ela uma maneira de fazer com que seu amor impossível pudesse se materializar, o que seria um verdadeiro milagre. Trocara juras de amor, muitos beijos e sem querer João como um bom gadjé, se assanhou um pouco onde Cinara muito arredia explicou a ele que namoro cigano era diferente, pois a cigana teria que permanecer donzela até o dia de seu casamento (As mulheres têm que ser virgens e os noivos não podem ter qualquer tipo de relacionamento com elas. O casamento acontece durante três dias e três noites, sem  intimidade antes do casamento., portanto os noivos ficam separados a darem atenção aos convidados. Somente na terceira noite é que podem ficar pela primeira vez sós. A noiva tem de comprovar a sua virgindade, através da mancha de sangue no lençol, que é mostrada a todos no dia seguinte. Na manhã seguinte ao casamento a mulher veste uma roupa tradicional colorida e um lenço na cabeça, que simboliza que é uma mulher casada), e mesmo que eles conseguissem transpor a barreira do impossível, queria que ele desse a sua palavra de homem de que assim seria feito, no que João pediu mil desculpas a assentiu de imediato. Ficando então só nos beijos, caricias e abraços. 

Pediu Cínara então, um tempo a João, para que ela pudesse tentar encontrar uma maneira junto ao seu povo de fazer com que ele fosse aceito, no que João aceitou, pois não tinha como não aceitar. Era aceitar ou perder a sua amada. E ficaram então de se falarem quando ela já tivesse comunicado aos seus pais que, junto aos anciões de sua tribo tentariam encontrar uma solução. Disse a João para que ele aguardasse seu telefonema em mais ou menos quinze e vinte dias.
Foram dezenove dias de aflição para João, só que nestes dezenove dias quem mais sofreu foi Cínara, pois no dia do encontro com João. Cínara pediu a velha cigana Starlina, que ela lhe desse uns conselhos até antes de falar com seus pais. Cínara então como uma autêntica cigana contou tudo a cigana Starlina, onde ela ouviu calada e disse a Cínara que havia visto estas cenas quando da leitura de mão do João. Por isso escorreu sobre as suas faces as lágrimas e disse que tentaria ajudar o máximo possível dentro das leis ciganas, mas deixou bem claro a Cínara que era uma amor impossível dentro das leis ciganas e que para dar continuidade a este amor Cínara, provavelmente teria que deixar a sua tribo, ou seja seria expulsa, e seus pais desonrados por quebra de palavra e contrato. A velha cigana voltou verter as lágrimas e disse que iria rezar muito a Santa Kali, para ajudar a resolver a questão. Cínara saiu dali transtornada e conforme aconselhou a velha cigana Starlina, Cínara foi direto falar com seus pais.

O pai de Cínara o cigano Petra, um homem bem grisalho, com feições duras e um bom chefe de família, tinha nas tradições ciganas todas as características e as levava ao pé da letra, fazendo inclusive parte do conselho de sua comunidade. Estava em uma missão de negócios, Cinara então só encontrou em casa a sua mãe, e pediu que ela a escutasse a ajudasse a achar uma solução para um problema, a cigana Milena, uma cigana já beirando a faixa e seus trinta e oito anos que ainda conservava uma beleza simples de uma mulher aguerrida as tradições e família, mas angelical, tá explicado inclusive o porque da beleza angelical de Cínara. Cínara começou a contar a mãe, toda a história sem omitir um fato sequer. O que Cínara não notou dado a vontade de contar os fatos, é que as feições de sua mãe ia da surpresa ao incrédulo e pelas suas ainda lindas faces desciam grossas lágrimas. Quando Cínara terminou e as duas se fitaram a cigana Milena agarrou sua filha e deu um abraço tão forte e apertado, que ficou no ar se era de medo ou de puro sentimento materno.

Quando chega o cigano Petra, pai de Cínara, sua esposa a cigana Milena o chamou a um canto e expôs todo o assunto.De imediato o cigano Petra, não aceitou este namoro, e já era esperado não só pela mãe como também pela própria Cínara. Mas como um bom cigano ele era muito chegado a família e tinha verdadeira adoração e orgulho de sua filha Cínara, mesmo tendo mais outros cinco filhos que também amava. Mas Cínara era diferente, pois o cigano Petra continuava apaixonado por Milena e Cínara foi a única filha que era o retrato da mãe quando nova, daí o carinho especial do pai com a filha, sem contudo deixar de ser duro com a filha no tocante as tradições ciganas.

Mandou que a mulher chamasse a filha. Adentra ao quarto Cínara, lívida e pálida, já esperando uma reação, que talvez fosse pela primeira vez até uma brusca reação. Nada Aquele homem calejado pela vida mandou que a filha ficasse sentada em frente a ele e com a voz embargada num misto de carinho, compreensão e amor. Recontou a filha toda a tradição cigana e até cantou o refrão de uma música que é assim “Povo cigano honre sua tradição.....com amor no coração”, tentando explicar a tão querida filha que este romance teria que terminar, pois seria não só a sua desgraça como a de sua família, quer seja moral bem como também financeira, pois deixaria de cumprir um acordo já tratado com a família de Ephraim, a quem já havia sido prometida quando ainda menina. Disse que a filha teria que obedecê-lo, pois do contrário, mesmo com seu coração partido teria que agir conforme os rigores e tradições ciganas. Na realidade quis mostrar a filha que se ela insistisse nisso seria até expulsa da comunidade cigana. No fim, como fez a mãe, aquele cigano calejado deu um forte abraço na filha e pediu a ela que pensasse seriamente no que havia dito. Mandou-a embora do quarto trancou-se e caiu em um pranto desesperado e solitário.

Cínara já sentindo a barra que teria para encarar se realmente quisesse ter ao seu lado o amado João, entrou em desespero, verdadeira depressão, e em sua mente ficava a dúvida de continuar sendo uma pura cigana e abandonando este amor ou fugindo com João e abandonando toda uma vida que ela até agora respeitava e seguia a sua tradição, que até então era uma entusiasta fervorosa, culminando inclusive não só com a agressão de Gajè’s, canalhas (A sexualidade é outro ponto importante entre os ciganos. E, ao contrário do que se imagina e maldosamente espalham pelo mundo, eles têm uma moral bastante conservadora. E não é nada do que se fala do povo cigano, são até bem mais sérios em suas vidas sexuais que os não ciganos dando muito valor a família e ao respeito), bem como a grandes discussões com o povo em suas andanças pelas ruas da vida, chamava até para a porrada (no que era repreendida, pelos outros ciganos, pois também é um mito discriminador dizer que o povo cigano e arruaceiro, pelo contrario o povo cigano prima pela paz e a ordem, lógico defendem se ponto de vista, mas sem agressões e sim pela conversa e negociações, no que são imbatíveis) se fosse o caso, era uma verdadeira radical.

E assim  foram-se passando os dias e cada minuto do dia o coração de Cínara ficava apertado, coitada, a velha cigana Starlina mandou chama – lá. É praxe entre os ciganos os homens sempre pedirem conselhos as mulheres idosas de seu clã e o cigano Petra havia ido até a ela e com o coração em frangalhos lhe pedido conselhos de como agir no caso de Cínara. A velha cigana então disse a ele que teria uma conversa reservada com Cínara, este era o motivo de ter mandado chamar Cínara. Quando a jovem cigana chegou a velha cigana mandou que ela sentasse em frente a uma imagem de Santa Sara de Kali e começou a fazer a explanação de toda a tradição que envolvia o seu povo, desde de + - 3.000 anos, (A hipótese mais aceita é que o Povo Cigano teve seu berço na civilização da Índia antiga, num tempo que também se supõe, como muito antigo, talvez dois ou três milênios antes de Cristo. Compara-se o sânscrito, que era escrito e falado na Índia (um dos mais antigos idiomas do mundo), com o idioma falado pelos ciganos e encontraram um sem-número de palavras com o mesmo significado. E assim, os Ciganos são chamados de "povos das estrelas" e dizem que apareceram há mais de 3.000 anos, ao Norte da Índia, na região de Gujaratna localizada margem direita do Rio Send e de onde foram expulsos por invasores árabes.),  e ao final da narrativa e da bela saga de seu povo, ela, a velha cigana sabiamente colocou a jovem Cínara em cheque, pois estaria prestes a sofrer de toda a maneira por este amor proibido a João. Disse a Cínara que ela ficaria ali rezando a Santa Sara de Kali, por três dias seguidos só saindo para a sua alimentação e higiene pessoal, uma forma de expiação e de pedidos a Santa para uma reflexão séria da atitude a tomar.
Neste ínterim João, super hiper impaciente, pois sentia a cada dia, hora e segundos a sua amada sair de perto dele, perdendo-a para uma tradição que como todo gadjè, achava injusta. Por que só a mulher gadjè, poderia casar com um cigano e um gadjè, mesmo aceitando transformar-se em um cigano não seria possível?  Não entendia como um povo que ama a liberdade e o respeito ao próximo fazer tamanha discriminação. Só que João por estar cego de amor não queria entender que em todas as sociedades existem regras e leis que devem serem cumpridas e veja só o poder de amar, como transforma o homem. Logo ele, um rapaz centrado e de boa índole, estava ali remoendo de certa forma até uma forma errada de pensar, ficava divagando os seus pensamentos ora para tentar entender o que estava acontecendo, ora procurando um meio de até levar a sua amada a fuga de seu povo. Nem se  importando aí o que ela poderia sofrer, acabando assim por de certa forma tornar-se uma amor egoísta, mas quem pode entender e decifrar os enigmas deste sentimento que vai desde de o nobre ao egoísmo total?
Lá estava Cínara já no terceiro dia de suas orações a Santa Sara de Kali e já quase que resignada a abrir mão de seu amor proibido, seus sentimentos estavam bem aflorados. Neste três dias Cínara, chorou muito, um choro doído por sentir que perderia o amor de sua vida. Teria que fazer a opção e esta opção envolvia diversas pessoas no lado cigano e pelo lado amoroso quem sofreria seria só ela e João. Colocou na balança da vida os prós e os contras, chegando a amarga conclusão que entregando-se a este amor, estaria machucando seriamente pessoas que a amava tanto quanto João, só que um amor diferente. Estaria fazendo sofrer aquele que ela adorava, o cigano Petra seu pai que tanto a idolatrava. Faria sofrer sua mãe a cigana Milena, que a guardou e protegeu durante nove meses, lhe proporcionou o direito a vida e em seu parto quase que foi embora para o mundos dos mortos, seus irmãos a quem respeitava e amava, a velha cigana Starlina, que era para ela uma verdadeira avó, sempre desde criança afagando sua linda cabecinha nos seus problemas infantis, suas amigas ciganas e acima de tudo a sua tradição ao que era uma das mais aguerridas defensoras.

Cínara então não via outro caminho o que não fosse o de romper com o seu amado João, pondo fim a este triste amor e como era uma mulher decidida e de fibra como uma boa cigana tem que ser, pediu permissão a velha cigana Starlina, para ligar ao João e dizer a ele que tudo estava terminado. A velha cigana Starlina ficou em dúvidas de consentir ou não. Cínara implorou para que a deixasse fazer isso, pois só assim, mesmo sofrendo poderia viver em paz com a sua consciência alegando que não seria justo deixar esperando um ser que não tinha culpa de ter se apaixonado por uma cigana. Com muito custo a velha cigana consentiu, desde de que ela estivesse junto.

E assim foi feito. Foram as duas ao orelhão mais próximo (não queriam ligar da comunidade, com medo de alguém ouvir o teor da conversa que até então era um segredo bem guardado entre seu pai, sua mãe e a velha cigana). Com mão tremula a jovem Cínara liga o número de João, ele por sua vez sentiu ao atender que boa noticia não era e lembrou da velha cigana Starlina lendo sua mão e chorando no dia em que conheceu Cínara. Veio-lhe a mente a resposta da velha cigana, quando da sua pergunta o porque da velha cigana ter vertido as lágrimas e lhe ter lhe dito simplesmente que era pelo fato dele ser um gadjé e não um autêntico cigano. A velha cigana Starlina, já teria visto o fim desta linda e triste história de amor. Tentou ele se refazer emocionalmente.

Cínara entre tremula e num misto de tristeza e emoção, começou a dizer a João que este seria a esta seria a última vez que eles se falavam, tentou em vão minimizar o relacionamento de ambos, entendia que agindo assim o seu amado ficaria com raiva dela e seu sofrimento fosse menor. Ledo engano João por sua vez erradamente também não se fez de rogado e com o mesmo pensamento não só desdenhou do amor de ambos, como disse coisas indevidas e assim fez com que a Jovem Cigana com seu sangue quente de uma autentica cigana levantou o tom de voz, mas ambos estavam totalmente arrasados, com seus corações em frangalhos. Triste fim de o que poderia ter sido uma linda história de amor.
Acabaram de se falar e cada um seguiu o seu rumo João, cabisbaixo, com o pensamento fixo em sua amada cigana Cínara foi seguir a sua vida, mas sabia o quanto ele teria que sofrer para que ela voltasse a normalidade. A jovem cigana Cínara, saiu dali amparada pela velha cigana Starlina, ambas sem darem uma palavra. Da face de Cínara rolavam grossas lágrimas amargas pelo amor que teve que abrir mão e da face da velha e calejada cigana Starlina, também vertiam lágrimas estas de uma dor de saber o que a jovem Cínara estava sentindo pois mesmo se passando muito tempo esta velha cigana também teve que abrir mão do amor de seu gadjé. Então abraçava fortemente a jovem cigana Cínara, como se assim ela também aplacasse a sua própria dor.

Cínara depois de anos já casada com Ephraim e com filhos, ainda guardava as lembranças de se gadjé,  Fato este que era percebido por seus pais e pela velha cigana Starlina, mas como uma boa cigana seguia firmemente as suas tradições e sempre quando precisava ser forte e continuar a sua vida em sdeu meio, ficava rezando a Santa Sara de Kali e cantando o refrão “Povo cigano, honre sua tradição....”, e assim segui a vida desta linda morena cigana de olhos amendoados.
João  também seguiu a sua vida aos trancos e barrancos. Conseguiu formar-se, teve uma bela ascensão profissional. Casou também e teve uma linda filha que chamava de “minha ciganinha”, pois ela era uma linda menininha moreninha com olhos amendoados e só ele sabia da sua dor. Pois do romance nada falou a ninguém. Nem a sua mãe D. Magali e muito menos ao seu pai, este então nem João saberia como contar a dor da perda de seu grande amor. E sua esposa Marcela, jovem também bonita e culta, nem imaginava o porquê João vivia cantarolando a música de Flávio Venturini e Nelson Chaves - Cigana lua - No olhar um sonho / No sonho um céu / No céu estrelas / Te vejo azul / Na luz da noite / Na paz do rio / Cigana lua, dedico a ti / Qual um poema / Feito num cristal..................................................................


Dedico este conto a um povo que respeito e tenho uma profunda gratidão, pois de certa devo muita a uma madrinha que ganhei Cigana Zoraia e a
 
SANTA SARA DE KALI



 NASTUK! (Obrigado)

OPTCHÁ PAZ  (luz e Proteção)

Autor: Djalma Pinheiro

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Djalma Pinheiro
Enviado por Djalma Pinheiro em 08/03/2009
Alterado em 16/05/2016
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